sábado, 19 de novembro de 2011

VOSMICÊ QUER CASAR?

Desde que ocê entrou na minha vida, viver é um trabalho danado de complicado por demais, vice? Os dias correm dessa forma preguiçosa e me bate uma vontade toda das grandes que num sei explicar de correr até sua casa, jogar uma pedrinha em tua janela e chamar teu nome cantando, assim, que nem curió. Fico olhando o céu, quando dá, né? Só pra ter certeza que tu num deixou uma faisquinha por lá na tua passagem, tenho cá comigo que tu só pode ser lá de cima, isso bem que dá medo; medo dos grandes, de perder ocê quando o cabra lá lembrar que teu lugar nem é aqui, mas bem que poderia se aproxegar um cadim demais aqui em peito, né, morena? Desse jeito assim toda dengosa, passando pela porta do meu trabalho num tem santo que aguente, num é mesmo? Homem assim que nem eu, fica bambo das pernas só em pensar numa formosura dessa, que é você, dando piscadinha pra mim, assim, sem safadeza niuma, né?
Ah, neném, se tu soubesse, assim, mó de quê tenho apreço pela Vossa Alteza, bem que seria menos fechada que nem baú de velho, num é não? Passaria pro mó de aqui mais vezes, soltando gracejos pra esse seu moço todo abobalhado, que só farta babar nas ventas de tanto amor que tem por ti. Vivo cá dizendo pro meus cumpades que ocê é a dona moça mais linda que tem por essas bandas, num tem santa mais linda que ocê, minha cheirosa. Toda bela, toda minha nesses sonhos por aí na noite, tu toda embonitada, com vestidinho de xica, mostrando sascoxas grossas de menina que corre pelos campos, sobe em pé de jambo e brinca de pega-pega. Tu bem que poderia ser uma chuva de caju que nem aquelas de cinema, quando o mocinho vai dizer que ama, mó bucadim antes do beijo, vice? Se eu pudesse? Arra, se eu pudesse te chamava de minha, cheia de orgulho, seria até engenheiro, aquele da lua, ou até das estrelas, pra fazer mais brilho nesse teu céu anil, nesses teus lábios – amor.
Mas pra casar contigo, só mesmo sendo dotor, desse com pedaço de papel, diproma, como disse teu pai quando me escarrerou da porta da casa de vosmicê, eu todo aprumado, tinha até passado perfume, só pra ver meu botão de rosa se debruçar na janela e ver o cruzeiro do sul. Vossa Excelência, bem que poderia amolecer o coração de touro do teu pai, quem sabe guardar aquela arma dele. Coroné anda nervoso com medo que eu roube ocê dele, mas se ele soubesse que tu já anda aqui dentro desse peito que te chama todos os dias, que bate assim que nem trem saindo da estação, ele nem se ousaria a me pedir um papel. Já se viu amor assim? Daqueles que se assina? Mar pois, minha menininha, deixe eu dizer, to cá querendo por demais casar contigo, ter mais de oito filhos, fazer amor contigo na rede sob o as estrelas alumiando nosso amor, anunciando a chegada das flores, que nem época de chuva. Colocar tua mãozinha de princesa, vixe, nem, de Rainha, em meu peito e tu sentir meu coração fazendo tum-tum-tum-tum-tumt-tum, porque, afinal, toda vez que tu sai de perto deu, meu coração fica no tum... tum...
Ei, morena, larga tudo e foge comigo. 

- Faah Bastos

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