sábado, 19 de novembro de 2011


Eu nasci para a poesia, sem pretensão em ser nada além do que uma andorinha solidão. Tenho paixões diversas, dessas que nos alimenta por um curto ou longo tempo, mas todas com prazo de validade, exceto essa relação de carne e alma que tenho com a poesia. Embriago-me, recrio-me e desfaço-me em sonetos, versos, lírica, com ou sem métrica, mas derradeiramente verdadeira. Tenho relações complexas com meus livros, as personagens que crio, e deixo pelo mundo exalando literatura, loucura poética, monólogos que não possuem fim. Sou dessas mulheres que ainda se sentem meninas, outras maduras demais para o mundo; falando nele, tenho quase certeza que não caibo mais em suas faixas territoriais. Cresci demais, meu Deus, e agora não tem espaço para mim e minhas quedas para o alto, meus choros poéticos, minhas canções de dormir compostas em uma relva qualquer, ou até uma poesia solta dentro de um conto...
Eu criei asas, meu Bom Senhor, porque os pés que recebi ao nascer, limitavam-me a ficar na Terra, presa entre iguais, sufocada pelo ar compartilhado. Por isso tenho voado tanto, cortado nuvens, feito das estrelas uma companhia, porque simplesmente tomei emancipação da humanidade e me tornei galáxia de mim.

- Faah Bastos

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