segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ESSA MINHA PÁTRIA DE MULHER



Ela é sagrada, assim como uma santa em teu altar de rosas. Tão intocável, com ar de divina, traz paz e agonia para esse meu peito patriota e de amor religioso. Ela se transforma, deixa de ser santa para ser minha pátria, território de homem corajoso, que não teve medo do amor buscar. É por isso, meu amor, que sempre exilo-me em ti, entre tuas faixas territoriais, hasteando minha bandeira em teu corpo, passando meus dedos entre essa tua nação fogosa. Travaria, de certo, guerras e guerras, para todas as noites festejar as nossas conquistas, destruir os inimigos e dominar mais outros castelos. Horas sim, horas não, vou alimentando certo medo, confesso, de ter sido possuído por aqueles espíritos malignos que queimam cartas ultrapassadas de amores doentios.
Minha dama tem sal, água e terra em teu corpo. Já destruiu os cálices de vinho da minha alma, transformou tudo em baile, hoje, não mais rega as rosas com as lágrimas desse tosco poeta. Tenho vontade de arrancá-la do altar, niná-la, enchê-la de beijos mimosos, usá-la de tal grado, que se apaixonará por mim a cada amanhecer duma nova estação. Retirar essa manta que cobre teu corpo, essas sapatilhas desnecessárias, te deixar tão pobrezinha de tudo, mas rica de mim – de mim em ti, assim digo. Ah, mas eu te amo tanto, santa minha, que não tenho mais religião se não for cativo a você. Sou filho do vento, ando em contato com a dor do tempo, do firmamento, dessa invasão dos cosmos, perdido em suposições, indecisões e controvérsias, tudo assim, meio que incompleto, à espera do livramento da minha alma que recusa o regresso à racionalidade e me prefere assim, tão animal. Destarte, ainda tenho-te como uma flor sem espinhos, um ar correndo em meus pulmões, um contentamento poético, uma fé sem dogmas, mas perdida nessa imagem da minha Santa Apenas Minha Senhora; com juras infinitas de amor guardado, promessas de chuva de caju ao fim da tarde se fundindo com teu cheiro de menina bonita, toda, assim, mimosa.
Larguei tudo no passado que não mais me anima, minha Santa. Mulheres, poesia torta, conhaque pela metade, fumaça de cigarro, rabisco de contos, camisa mal passada… Sem fontes, sem histórias, exatamente assim, sem laço com nada, preso apenas a ti, doce mulher da minha sagrada aurora. Desse jeito, papel branco, pronto para ser usado, assim espero, por ti, com essas mãos de menina delicada, dessas que não precisa nada fingir, nasceu um pãozinho doce, na medida certa, com os olhinhos de bebê. E, assim espero, que ela faça bom proveito.
Essa minha mulher tem mania em ser minha pátria, não se contentando em ser minha Sagrada e Divina Senhora.

- Faah Bastos

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