Eu fecho meus olhos, desligo meu corpo, e permito que minha mente vague por entre caminhos sinuosos da minha existência, assumindo sua posição de senhora das minhas verdades, toma para si o poder territorial de cada centímetro epitelial do meu ser. Um lugar que desconheço por inteiro, que odeio por permanecer inserido em mim, escondido entre meus olhares vazios ou cheios de dor. Um lugar adormecido entre as catedrais do meu pensamento, das portas trancadas que escondem em sua essência as respostas das minhas internas confusões entre o que sou e quem deveria ser. Vago sozinho por entre os campos umedecidos com o orvalho da incerteza, da derradeira dor dos raios de sol que tentam evaporar as lágrimas de sofrimento deixadas pela senhora noite em horas atrás. Caminho assim, nessa solidão de muitos, esquecidos por todos, mapeado por corações descrentes da sua própria capacidade. Uma jornada assim tão solitária, enrubescida em suas maçãs do rosto, manipuladas pela saudade quase que assumida. São trajetos misteriosos que definem o rumo da minha alma, o ponto final dos meus batimentos fracos, porém ritmados, como numa canção de ninar profunda, lânguida pela saudade dos carnavais jamais cortejados por minha banda de amor; uma marchinha fúnebre dos momentos que na terra foram fincados, a ponto de quase enterrá-los em túmulos malfeitos.
São trovoadas de amor não resolvidas, arraigadas na minerva sensação de desprendimento; alforria de tolo sonhador que ainda acredita em recomeços sem dor, sem perdas, sem dilaceração do passado. Podre aquele que vaga por entre os arbustos da vida procurando flores entre a sombria côncava das mãos injustiçadas. Então respiro mais, transformo-me em flor e planto-me em teu futuro jardim, meu amor. Afogo minhas vertigens niqueladas, ultrapassadas, massacradas e vencidas pelos senhores das estações; assumem papéis de generais do medo, com suas armas pesadas e carregadas de ofensas que por tanto tempo nadaram por entre os oceanos dos meus olhos; são infortúnios de uma alma escritora da sua história inacabada. Volto a abrir meus olhos e encarar o fogo dos raios de sol de verdades não mais adormecidas.
- Faah Bastos

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