Meu amor tem gosto de poviléu,
Cuspindo carícias como um fidalgo desalmado,
Refugiando-se em parelha de passado –
Histórias de dores não vencidas.
Tem aquele ar de soldado da corte,
Hasteando bandeira feita de pele,
Suja de sangue; guarnição de amores,
Talvez recolhidos, muitas vezes sonhados.
- O que sucede? – pergunto-lhe.
- Tristeza da solidão outorgada no papel;
Papiro de gente, escrito com lágrima,
Choro de criança condizente.
- Mas desgraça! Maldito seja aquele quase defunto!
- O amor?
- Não, a saudade, que concerne meus segredos adormecidos,
Banhando-os de luz, varrendo para longe, aprisionando
No bálsamo dos medos, na raiz dos meus anseios,
A proliferação do meu reino de lamúrias encorpadas,
Recheadas de borboletas selvagens que regressam
Ao casulo do tempo.
Um maldito vigário do amor reprimido
Que morreu aos cantos clamando a fecunda
Alma do desejo esquecido.
- Faah Bastos
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