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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ESSA TRAGÉDIA

Quisera um dia tu possas notar o erro que cometeu por mim não lutar.
Quero que mordas tuas palavras e se envenene ao pronunciar…
Que na verdade estou enganado já que juras me amar.
Quisera Deus um dia Ele te mostre como se deve amar,
Pois essa migalha que tu enaltece e colocas em meu altar…
É apenas uma fracassada comédia do que és amar.


- Faah Bastos

ASSIM COMO TU: CHOREI.

Vivi, amei, dilacerei, tal como tu: ressuscitei;
Que de repulsa afastei-me da terra, como um
Verme fugindo das entranhas do mistério.
Tentei tornar-me borboleta, mas prossigo
Encasulada.

Beijei, sofri, chorei, tal como tu: morri.
E num devaneio sem sentido, refiz-me
De palavras cheias de esperanças
Ainda trancadas em seu diário macabro.

Suspirei, solucei, reconstruí, tal como tu: perdi;
As propensas soluções da alma se envelheceram
Em uma gaveta qualquer, entre as fotografias
De corações apaixonados destinados a sofrer
Por caravelas que partem, por procissões de alma,
Cortejos de flores embalsamadas com o amor pungente.

Amordacei, desatei, suscitei, tal como tu: despedacei;
Como um botão de flor que não mais se alimenta do mundo,
Deixando as pétalas formarem tapetes perfumados,
Escondendo a lama dos meus olhos.

Tal como tu: chorei.

- Faah Bastos

sábado, 19 de novembro de 2011

AMOR POVILÉU

Meu amor tem gosto de poviléu,
Cuspindo carícias como um fidalgo desalmado,
Refugiando-se em parelha de passado –
Histórias de dores não vencidas.
Tem aquele ar de soldado da corte,
Hasteando bandeira feita de pele,
Suja de sangue; guarnição de amores,
Talvez recolhidos, muitas vezes sonhados.
- O que sucede? – pergunto-lhe.
- Tristeza da solidão outorgada no papel;
Papiro de gente, escrito com lágrima,
Choro de criança condizente.
- Mas desgraça! Maldito seja aquele quase defunto!
- O amor?
- Não, a saudade, que concerne meus segredos adormecidos,
Banhando-os de luz, varrendo para longe, aprisionando
No bálsamo dos medos, na raiz dos meus anseios,
A proliferação do meu reino de lamúrias encorpadas,
Recheadas de borboletas selvagens que regressam
Ao casulo do tempo.
Um maldito vigário do amor reprimido
Que morreu aos cantos clamando a fecunda
Alma do desejo esquecido.

- Faah Bastos

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CARAVELA

Teu amor chegou
Como caravela em meu porto.
Escravocrata como sou
Não alforriei o seu amor.
Nesses grilhões de medos,
Acorrento minha dor.
Nunca mais serei solidão,
Ó minha divina flor.
Contigo crio cafezais de estrelas,
Faço desse conjunto epitelial,
Nossa canção de liberdade
De dois apaixonados marginais.

- Faah Bastos